terça-feira, 30 de outubro de 2012

Quatro Trilhas Sonoras


Mais do que nunca, naqueles dias ele amou Roma e aquelas ruas loucamente entrelaçadas, com o trânsito caótico fluindo para todos os lados. O sol já havia desaparecido no horizonte daqueles prédios que se confundem com os monumentos da glória de outras épocas. Era aquela hora em que as coisas adquirem uma tonalidade azulada, cinza outros diriam, quando não se tem mais certeza se ainda é dia ou já é de noite. Só que naquela esquina lá estava Ela, com as mãos dentro do casaco, tentando barrar o frio que só aumentava. Não havia a menor possibilidade, pensariam alguns, de ocorrer uma cena como a que Ela havia iniciado alguns dias atrás. Mas isso era o que Ela mais adorava: Abater a expectativa dos outros em pleno céu de brigadeiro. Nada muito aviltante, claro. Apenas na medida certa, naquela zona cinzenta que separa o que é espontâneo e natural, daquilo que é rude e de mau gosto. Naquela hora o barulho dos carros e motonetas aumentava. Romanos exerciam seu doce esporte de xingar os demais motoristas e por que não, os pedestres, quase na maioria turistas. Ele quis beija-la logo na chegada, como as duas avenidas se entrelaçavam. Não um simples beijo no rosto não... Beijo... De verdade... Sabia que não há nada que aproxime mais duas pessoas do que um beijo... Pode ser ensaiado, roubado, pedido, molhado ou implorado. Pouco importa, só que sem um bom beijo, um casal não se acerta, e a causa está perdida. Mesmo sem o beijo de chegada, eis que prematuro demais, eles se conversaram, se descobriram muito um no outro. Perderam a noção do tempo. Muito mais encantamento do que surpresa, mas o trânsito ainda não havia diminuído, só que isso já não mais importava, porque a respiração dela já havia voltado ao normal. Justamente Ela, que esperava algo mais. Tá certo que há muito, não havia ninguém que pudesse acelerar seus batimentos. Tá certo também que Ela SEMPRE espera algo mais. Deve ser por esse motivo que acaba sempre iniciando uma situação como essa: Ela pula, Ela avança, Ela respira, Ela diz palavrões, Ela provoca. E depois Ela senta, sossega para assistir o circo pegar fogo, com aquele sorriso de Gioconda, que ninguém sabe dizer se é de verdade. Ou de mentira... Ou ambos... Que, na verdade, para ele, tanto faz...


Depois do jantar, ele puxa o seu multiplatinado cartão de crédito, nem dando chance para o famoso “vamos dividir...???”... Não era de se estranhar... Após alguns dias de tempo fechado entre eles, aquela gentileza era um mínimo bastante pertinente. Ela ficou feliz... Mas o problema era que sempre que Ela bebia, ficava feliz... Lembrou que estava de carro (foi até bem difícil de estacionar) e pediu um café para rebater o que havia bebido... Já era tarde e teria trabalho no dia seguinte... Bem que ele tentou prolongar a noite naqueles conhecidos lugares “mais tranqüilos”, mas não colou... Naquela noite, pelo menos, não... Na saída do restaurante, chuva mansa e vento frio... Pensou até em dar uma chance ao rapaz, mas lembrou que seu horóscopo no jornal, pela manhã, aconselhava ir com calma nos relacionamentos afetivos... Tudo bem, aquilo nem era um relacionamento de verdade... Afetivo...???? Talvez... Nem acreditava em horóscopo mesmo, quanto mais os de jornal. Foi para casa sozinha, cantarolando "It's still the same old story, a fight for love and glory, a case of do or die…", e tentando descobrir porque Rick e Ilsa não ficaram juntos na neblina do aeroporto de Casablanca... A tal felicidade lhe fugiu por uns instantes, quando lembrou que Rick e Ilsa will always have Paris, e com isso, de fato, não dava para competir...

Ela já tinha passado por essa situação algumas várias vezes e sabia que sempre terminava em solidão acompanhada... Não haveria geléia light no mundo que a fizesse, entretanto, deixar de olhar para o relógio digital... Sorriu discretamente, tentando não ser grosseira, quando o "gato", cumpridor fiel do protocolo, se despediu com o quase inédito “te ligo”... Até aí tudo bem - Ela pegou a primeira blusa que estava à mão para acompanhá-lo à porta.... Beijos burocráticos de despedida, cada um mais preocupado com seus compromissos do que propriamente com o outro. Ela volta para o quarto, dá uma geral no que ficou pelo chão e decide deixar com está... Vai ter tempo suficiente para arrumar quando voltar para casa à noite. Sabia que chegaria atrasada ao trabalho, então relaxou... Preparou um banho, não sem antes colocar um CD para tocar... Engraçado... Num respiro de My Funny Valentine em seu trompete, Chet Baker disse muito mais do que o "gato" que saía pela porta da frente, em uma noite inteira... É... Não dá pra ganhar sempre... “E também que se dane o trabalho” - deu de ombros, voltando a dialogar com o velho Chet, até porque gatos de verdade, usam só a porta dos fundos...



Eu fico olhando pra ela, e fico querendo saber se ela anda na corda bamba, se acorda à noite com sede, se queima a língua com chá quente, se deixa o telefone tocar, se faz pedido quando vê a primeira estrela, se chora no final do filme, se come pizza com as mãos, se acredita em anjos, se gosta dos impressionistas, se demora no banho, se para na frente de uma vitrine sem querer comprar nada, só olhando, se tem uma música que toca e ela para tudo que tá fazendo, se já dançou sozinha na cozinha às duas da manhã, se sabe que o cheiro de chuva numa tarde de verão é uma das poucas coisas que ainda consertam alguma coisa.
Ela tem olhos incertos, deve esconder segredos sob a jaqueta de couro, deve ir à praia de noite, deve dançar no ritmo certo, deve ter vontade de furar o sinal vermelho, deve ter preguiça de arrumar a cama, deve dormir tarde, deve ter medo de barata, deve fuçar os canais no controle remoto, deve gostar de Ray Charles, deve ter subido a Montmartre num final de tarde e ficado parada ouvindo alguém cantar La Bohème numa janela aberta, sem entender a letra e entendendo tudo, deve ter parado numa cidade pequena que não estava no roteiro e ficado mais tempo do que planejava, deve andar descalça em casa mesmo no frio, deve ter uma planta que quase morreu e ela salvou na última hora, deve achar que Van Gogh não era louco, só via demais, deve saber que solidão acompanhada é a mais difícil de explicar e a mais honesta de sentir.
Eu fico olhando pra ela, e fico querendo saber se ela pinta os olhos pra um encontro casual ou só em ocasiões importantes, se já leu Kerouac, se vai a pré-estreias à meia-noite, se gosta de abrir presentes de natal, se fica na cama quando está deprimida, se acha que Paris cheira diferente quando chove, se já tomou porre de tequila, se teve ressaca, se toma sorvete no inverno, se tem medo de avião, se torceu pra que Clark Gable não tivesse ido embora com o vento, se sentava na primeira fila no colégio, se já ficou numa galeria olhando pra um quadro de Hopper e sentiu aquela solidão gostosa, se sabe de cor algum poema que ela nunca declamou pra ninguém, se acha que Picasso entendia de mulheres ou só fingia que entendia, se já dormiu num hostel em cidade estranha e acordou feliz sem saber bem por quê, se já ouviu Bach de olhos fechados e entendeu que existe algo maior do que a gente, se já leu Stendhal e ficou com aquela sensação estranha de que a beleza pode ser perigosa.
Eu fico ouvindo ela falar e fico imaginando que ela deve se aborrecer com a toalha molhada sobre a cama, deve achar Juliette mais bonita que Michelle, deve chegar atrasada no cinema, deve ler poesia e decora os versos que a pegaram de surpresa, deve ter um livro na cabeceira com o marcador na mesma página faz meses, deve ter chorado lendo Clarice numa tarde de chuva sem contar pra ninguém, deve ter assistido Asas do Desejo e saído do cinema querendo que alguém a tocasse só pra confirmar que ela ainda era de carne, deve ter ficado parada num canal de Veneza num fim de tarde olhando a luz mudar devagar sobre a água e pensado que não precisava de mais nada, deve preferir mercado a shopping, deve achar que café bom não precisa de açúcar, deve achar que o final do verão dói de um jeito que não tem nome certo, deve ter passado uma manhã inteira ouvindo os Beatles num toca-discos e tido a certeza quieta de quem acabou de receber algo que não pediu e não merecia e ganhou assim mesmo, deve gostar de assistir ao pôr do sol sem tirar foto, só ficar ali, deixando acabar.
Eu fico olhando pra ela, e fico querendo saber se ela perde todas as moedas dentro da bolsa, se torcia pro Papa-Léguas ou pro Coiote, se esquece onde colocou a chave do carro, se quis que Rick e Ilsa tivessem ficado juntos na neblina do aeroporto em Casablanca, se canta no chuveiro, se dança de rosto colado, se já ficou perdida numa cidade estrangeira, se fica horas folheando revistas na banca da esquina e sai sem comprar nada, se acha que James Dean morreu na hora certa ou se pergunta como ele teria envelhecido, se já tomou vinho barato num apartamento sem móveis e achou que era o melhor da vida, se acende vela quando falta luz ou fica no escuro mesmo porque achou bonito assim, se já comprou uma passagem sem saber direito o que ia encontrar do outro lado, se acha que domingo de manhã com pão fresco é um milagre doméstico, se já ouviu Let It Be e deixou mesmo, se sabe o que é olhar nos olhos de alguém e não conseguir decidir se o que sente é coragem ou medo.

Queria saber se ela se importava de me pagar uma cerveja.

sábado, 6 de março de 2010

The Boy III - 50 anos.

A Celebração da cena imortalizada de "Che Guevara de Korda" veio em 5 de março de 1960, num ato de protesto às 136 vítimas de sabotagem na explosão do cargueiro francês Le Coubre, no porto de Havana. O episódio foi atribuído pelo governo cubano a uma ação de sabotagem em meio ao crescente clima de hostilidade entre Cuba e os Estados Unidos, que culminaria em décadas de embargo econômico e isolamento da ilha.
Ao lado de diversas autoridades cubanas, Fidel Castro discursava para a multidão na presença de Ernesto Che Guevara, Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir. Em determinado momento, Che avançou até a borda da tribuna para observar o público. Korda, atento, registrou rapidamente duas fotografias, uma vertical e outra horizontal. Nelas, captou a expressão austera e carregada de Che, vestido com sua característica jaqueta verde-oliva.
Alberto Korda nunca se deu conta da força simbólica que aquelas imagens alcançariam. A aparição de Che na tribuna durou cerca de 45 segundos, tempo suficiente para que o fotógrafo produzisse uma das imagens mais reproduzidas da história. Tampouco poderia prever a ironia dos tempos: em Havana e em praticamente qualquer lugar do mundo, utiliza-se um cartão VISA ou AMERICAN EXPRESS para comprar uma camiseta estampada com o rosto daquele que se tornou um dos maiores ícones da crítica ao capitalismo.
Também é impossível dissociar a realidade cubana do prolongado e indigno bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos. Por décadas, a maior potência econômica e militar do planeta tenta dobrar uma pequena ilha caribenha que insiste em preservar sua soberania política. O embargo agravou carências, restringiu oportunidades e impôs custos humanos significativos à população cubana. Ainda assim, apesar das privações, a ilha não se curva. Cuba segue existindo, resistindo e afirmando sua independência diante de uma pressão externa que atravessou gerações e diferentes governos norte-americanos.
Não sei o que Che pensaria ao ser confrontado hoje com a realidade vivida por quase 11 milhões de cubanos, muitos saindo de casa sem saber se haverá transporte para chegar ao trabalho, se conseguirão garantir o almoço ou o jantar. Talvez, porém, visse também um povo que, mesmo submetido a enormes dificuldades, continua recusando a submissão. Talvez a força duradoura daquela fotografia esteja justamente na expressão de desafio de um homem que se transformou em símbolo de uma revolução e de uma ilha que, para o bem ou para o mal, jamais se curvou.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Sunday Bloody Sunday

Bloody Sunday (domingo sangrento) foi o nome pelo qual ficou conhecido um incidente ocorrido em Derry, ao norte da Irlanda, em 30 de janeiro de 1972, quando 26 pessoas que participavam de uma marcha pelos direitos civis foram atingidas por tiros disparados pelo Primeiro Batalhão de Paraquedistas Britânico.
Em uma primeira ouvida, o episódio ficou famoso, ou pelo menos o título é conhecido pela música do U2, do álbum WAR de 1983.
Só que muito antes, o tema (inclusive com o mesmo título da canção) já havia sido tratado por ninguém menos que John Lennon, que na sua maneira ácida, cantava "How dare you hold to ransom, a people proud and free, keep Ireland for the Irish, put the English back to sea!" E falava com propriedade - seu avô nasceu em Dublin.
A ascendência IRISH estava presente na metade mais importante dos Beatles - Paul McCartney também, dias após o incidente, em fevereiro de 1972 gravou com os Wings "Give Ireland Back to the Irish" banido da BBC.
A questão da Irlanda, aliás, era seguida de perto pelo FBI, nos anos pós-Beatles, quando o casal Lennon emprestava sua imagem em defesa de causas políticas e humanitárias. Perguntado como poderia conciliar sua postura pela não-violência e sua simpatia pelo IRA, Lennon fulminou: ""If it's a choice between the IRA and the British Army, I'm with the IRA. But if it's a choice between violence and non-violence, I'm with non-violence. So it's a very delicate line."

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Por una cabeza...


Saiu meio cara a conta das Quilmes no Caminito... Deixei meu celular por lá... E como estava quase na hora do navio zarpar, achei melhor sacrificar o aparelhinho mesmo... Falando nele e de volta à vida real, já sinto mais falta do relógio do que propriamente do celular... Mas, como hoje em dia quem não tem um celular deve padecer de alguma doença letal, não sei por quanto tempo conseguirei me manter desligado do mundo. Estou tentando, mas se alguém me ligar e atender um argentino, pede para devolver o aparelho que eu pago o FEDEX...

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domingo, 22 de novembro de 2009

Último trago em Paris II

Só corroborando o post anterior, a coisa tá tão ridícula que o cartaz do filme da Coco Chanel, aqui no Brasil, foi modificado, tirando o cigarrinho e colocando na mão da Audrey um caneta... Uncroyable....

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Último trago em Paris.

A proibição de mostrar o consumo de tabaco em peças publicitárias no metrô de Paris motivou a retirada de um cartaz do filme "Gainsbourg (vie héroïque)", sobre a vida do cantor Serge Gainsbourg. No cartaz do filme de Joann Sfar, o ator Eric Elmosnino aparece soltando fumaça pela boca.

A simples citação ao ato de fumar foi suficiente para que o cartaz fosse considerado uma incitação ao consumo de tabaco pelos administradores do metrô, que temem receber uma multa de até 100 mil euros.

Pois é… Inacreditavelmente até a França, pátria do Gauloises e do Gitanes, os cigarros mais machos e fedidos do mundo, sucumbiu…

Não sou fumante e também não sou alheio à todos os males que o cigarro comprovadamente causa. Mas acho que lá, como cá, há um exagero desmedido com relação à proibição sem ressalvas que pipocam dia a dia. 

Nos EUA tudo bem, porque lá tudo é diferente mesmo… Mas como ficam aqueles velhos românticos que sempre sonharam dar umas baforadas como os heróis do velho mundo…??? O que é um bar em Madrid sem fumaça…??? O que é um pub irlandês sem um ambiente insalubre, para beber uma Guinness sentado no balcão…??? O que é um intelectual francês no Café de Flore sem seu cigarro…??? E o que é uma foto de Gainsbourg sem seus cigarros….???? E Jean-Paul Sartre então...??? Nunca mais uma tragada no Les Deux Magots ou no Cafe de La Paix na saída da ópera!!!???!!!

Talvez chegue um tempo em que os viajantes que davam seus tragos na terra da liberdade da igualdade e da fraternidade, tenham agora que correr para uma Cuba da vida, para poderem aproveitar suas baforadas de forma livre e democrática, sem nenhum fiscal dos bons costumes ou algum policial cortando seu barato… E viva la revolución… 

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domingo, 8 de novembro de 2009

Te cuida Luciano Huck ¡¡¡¡

Só podia ser lá pelos anos 80 mesmo, onde tudo corria solto... Não tinha INMETRO para fiscalizar aquele brinquedo com pontas ou com pedaços para a criançada engolir e os carros vinham com aqueles cintos de segurança que te prendiam só pela cintura, criando um pêndulo entre o painel e a cabeça do motorista.

Também não devia ter controle artístico nenhum, pois colocar os Cascavelettes no programa da Angélica pra cantar EU QUIS COMER VOCÊ, é no mínimo hilário... A cara da molecada é impagável... E a Angélica ainda achava "olha só... que barato..." e "com gritinho" ainda...


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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Todavia, contudo, entretanto....

Desdizendo alguma coisa que eu eventualmente tenha dito no post anterior, mesmo com a cara do Quasímodo, ele continua se dando muito melhor do que nós aqui... Segundo a notícia, essa aí é uma top model russa que é vizinha dele em NY... E se tivesse morrido em 1987, não ia estar nessa "buena"... Acho que esta opção é a melhor mesmo.... Vai que é tua Mickey Rourke !!!!

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domingo, 13 de setembro de 2009

We'll always have Paris...


Rick: Last night we said a great many things. You said I was to do the thinking for both of us. Well, I've done a lot of it since then, and it all adds up to one thing: you're getting on that plane with Victor where you belong. 
Ilsa: But, Richard, no, I... I... 
Rick: Now, you've got to listen to me! You have any idea what you'd have to look forward to if you stayed here? Nine chances out of ten, we'd both wind up in a concentration camp. Isn't that true, Louie? 
Captain Renault: I'm afraid Major Strasser would insist. 
Ilsa: You're saying this only to make me go. 
Rick: I'm saying it because it's true. Inside of us, we both know you belong with Victor. You're part of his work, the thing that keeps him going. If that plane leaves the ground and you're not with him, you'll regret it. Maybe not today. Maybe not tomorrow, but soon and for the rest of your life. 
Ilsa: But what about us? 
Rick: We'll always have Paris. We didn't have, we, we lost it until you came to Casablanca. We got it back last night. 
Ilsa: When I said I would never leave you. 
Rick: And you never will. But I've got a job to do, too. Where I'm going, you can't follow. What I've got to do, you can't be any part of. Ilsa, I'm no good at being noble, but it doesn't take much to see that the problems of three little people don't amount to a hill of beans in this crazy world. Someday you'll understand that. Now, now... Here's looking at you kid. 

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domingo, 30 de agosto de 2009

The Boy II



Fazendo uma limpa nas minhas pilhas de coleções de revista, encontrei o número 1 da revista SET, de 1987, com capa do Mickey Rourke. No auge da carreira, com a chamada de capa de ser “o novo mito das telas” ele concede uma longa entrevista sobre os filmes Coração Satânico (1986), Barfly - Condenados pelo Vício (1987) e A Prayer for The Dying (1987) nos quais havia acabado de trabalhar. Era tido como o novo Marlon Brando, com sua atuação dramática e sussurrada. Uma fera que havia, na pele do detetive Harry Angel, confrontado um De Niro encarnando Louis Cypher. Eu particularmente, já havia me impressionado com ele no extinto cine Condor, em 1983/84, dirigido por Francis Ford Coppola, em O Selvagem da Motocicleta. Mais tarde, ele se tornaria conhecido do grande público através do filme 9 e 1/2 Semanas de Amor, de Adrian Lyne, contracenando com Kim Basinger. 

Hoje, mais de 20 anos desta promessa de “novo mito”, é perceptível o rumo inverso que sua carreira tomou. E, ao contrário do que já escrevi em um post anterior sobre James Dean, imortalizado no auge dos seus 24 anos, com apenas 03 filmes na carreira (sendo que 02 deles – Rebel Without a Cause e Giant) sequer haviam sido lançados.

Os filmes do menino Dean foram magníficos. Como também foram os protagonizados por Rourke, que foi um astro tardio, só atingindo a fama próximo dos 35 anos.

E eu penso, inevitavelmente: se Dean tivesse vivido e podido fazer outros filmes, talvez engordaria e entraria em decadência. E seus filmes seriam vistos com outros olhos. Já Rourke, se tivesse morrido naquele ano de 87, ou logo após 9 Semanas e Meia, teria sido eternizado com aquele sorriso cínico e tom de voz que fez 9 entre 10 mulheres do final da década de 80 saírem do cinema com a respiração alterada. E o mito ficaria para sempre... Mesmo sem nunca ter sido...

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terça-feira, 25 de agosto de 2009

A Taste of Honey...

A cidade era bem simpática, tranquila e aconchegante. Era feriado. Não me lembro muito bem em que época do ano estávamos. Eu já estava viajando há algum tempo sozinho, de maneira que o tempo do calendário não tinha muita importância. Apenas me lembro que estava frio, mais frio que no resto do país, devido a altitude em que ficava a cidade.

Eram duas horas da tarde quando cheguei em Flagstaff, na estação de trem, vindo de Phoenix, com o intuito principal de no dia seguinte, se eu conseguisse fazer uma reserva em algum ônibus, ir conhecer o imponente Grand Canyon. Estava com sorte, e logo tinha em minhas mãos um passe de ida e volta no ônibus que sairia às 7h30m da manhã do dia seguinte.

 Arranjado o principal, segui pela mesma rua da estação, que mais tarde percebi ser um trecho da Route 66 que cortava a cidade, com a finalidade de achar um quarto para poder descansar um pouco, pois minha mochila começava a ficar cada vez mais pesada. Um motel, à beira da 66 resolveu o problema. Era a própria encarnação do ideal Beat - uma mochila com algumas roupas, não muitos dólares no bolso, alguns livros comprados pelo caminho e principalmente, um quarto de motel barato, no térreo, com uma janela sem trancas debruçada sobre a imortal rodovia. Olhando por essa janela, o movimento de carros, motos e caminhões, vi passar o espírito de todos os viajantes, principalmente os solitários, que é ir. Ir, nas palavras do velho Jack Kerouac, ir, não importa para onde, mas ir, estar sempre em movimento.

Mesmo a profundidade desta divagações, não foram suficientes para abafar os ruídos do meu estômago, lembrando-me que, já estávamos com a tarde bem avançada, e eu ainda não havia comido nada durante o dia todo. Deixei a mochila no quarto e saí, para tentar uma maior intimidade com Flagstaff. A cidade resumia-se na avenida principal, ou seja, a Route 66, onde localizavam-se, lojas de souvenirs, cafés, lanchonetes e bares, a estação ferroviária, enfim, parece que nada havia além de onde eu estava.

Com isso, o dia já estava chegando ao seu final. Entrei, com uma certa pressa, em uma lanchonete da cadeia Jack in the Box, para a primeira refeição do dia, tirando a latinha de Coca, tomada na viagem. Confesso que me tornei um especialista em todas esta cadeias de fast-food americanas. Mas, neste Jack in the Box, era minha primeira vez. No próprio balcão pedi um "Big-não-sei-o-que", um refrigerante e como a fome não seria saciada só com este "Big", pedi um "taco", comida mexicana que quase havia me desidratado num bar do Texas. Só que, no momento em que complementei meu pedido com um "taco", a atendente virou-se para mim e esboçou um sorriso, como que achando engraçado meu sotaque ao pronunciar "taco" em inglês. Tive que apontar para a figura do bendito "taco" no painel. Sorriso perfeito, dentes perfeitos, grandes olhos azuis e cabelos castanhos claros, que pude ver pelas mechas que caiam de dentro do boné sobre a nuca. Peguei o meu pedido e escolhi uma mesa.

A lanchonete estava razoavelmente cheia. Ao meu lado havia um casal de senhores com uma aparência bem simpática e mais afastado, estavam duas moças, que também chamavam a atenção pela beleza. Pensei ao mesmo tempo que engolia o sanduíche: "Flagstaff tem as mulheres mais bonitas dos Estados Unidos...".

Quando dei por mim, a atendente do sorriso, estava de pé, conversando com o casal da mesa ao lado. O senhor disse que se chamava John, mas seu apelido era Jack, igual ao nome da lanchonete. Com o mesmo sorriso, a atendente disse que seu nome era muito estranho, e que pessoalmente, não gostava dele. Chamava-se Honey. E, quando disse que seu nome não combinava com ela, fiz um sinal de negativo com a cabeça para mim mesmo, achando que não poderia haver um nome mais acertado. Ela notou meu movimento e completou: "Meu pai sempre diz que nunca deveríamos ter te chamado de Honey, mas sim de algo como azedo ou amargo...". E sorriu. Novamente.

Fiquei por muito tempo ainda sentado lá, fazendo minhas anotações de gastos e planejamentos futuros da viagem. Quando as anotações acabaram, ainda fingi que estava escrevendo algo muito importante. Saí da lanchonete, e me despedi com um leve aceno com a cabeça.

Já no meu quarto, bem alimentado para os padrões norte-americanos, decidi ir até uma praça que havia visto à tarde e que segundo haviam me informado, era lá que estavam a maior concentração de bares e cafés.

Eram 22h00m, quando entrei no bar mais cheio, para não dizer o único aberto naquele feriado, e sentei-me no balcão. Era um local rústico, onde fabricavam uma cerveja artesanal, vermelha, servida em jarras, e grandes copos de quase 1 litro. Pedi um copo. Acho que o sujeito ficou ofendido, porque pedi uma Budweiser de cara.

Havia pouca gente no bar. Alguns casais jogavam dardos. Os quase 2 litros de cerveja já estavam começando a fazer efeito. Lembrei que teria que acordar bem cedo no dia seguinte. Deixei cinco dólares sobre o balcão, e voltei para o motel com um sorriso meio bobo estampado no rosto. Uma mistura de sentir de fato o significado de estar e de ser livre, com alguns muitos mls. de cerveja artesanal.

O dia seguinte foi espetacular. A visita ao Parque Nacional do Grand Canyon é algo indescritível. Voltei no mesmo dia, às 4 da tarde, mas só com o tempo de pegar minhas coisas no motel, colocar alguns postais na caixa de coleta e seguir para a rodoviária, onde pegaria um ônibus para Las Vegas. Fiquei tentado em correr até o Jack in the Box, novamente. Não fui.

Comprei um daqueles leites achocolatados e embarquei. Flagstaff, como era o grande fundamento daquela viagem, teria que ficar para trás. Nada poderia ser como nosso cotidiano em que vivemos nos apegando a coisas e lugares. Tinha que olhar para frente. E assim foi. A cidade que tinha "as mulheres mais bonitas dos Estados Unidos", foi ficando para trás, à medida que o ônibus andava sobre a 66 para pegar a Interestadual.

Coloquei meu fone de ouvido. As estradas empoeiradas do deserto de Nevada começavam a aparecer. Reclinei o banco e me perdi observando a paisagem árida. Mas, mesmo assim, 3 dúvidas martelavam minha cabeça:

- Teria sorte no jogo em Las Vegas ?

- Como é que se pronunciava "TACO" em inglês afinal ?

- Porque eu não retribuí o sorriso ?

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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Thundercat...

Não foi tentativa de suicídio... É só o resultado da ida do Pé de Pano ao veterinário... Até pelo fato de que, caso eu realmente desejasse partir dessa para melhor, escolheria algum jeito mais impactante... Talvez fosse de primeira classe para Paris, subiria no Arco do Triunfo e com vista para o Champs Elysées me estabacaria na Place de l'Etoile... Très chic...

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Forever Young...


Dia desses conversava com uma amiga que depois de muito tentar, conseguiu engravidar e ter o seu primeiro filho. Ela justamente me dizia o quanto havia valido a pena o sofrimento que esses tratamentos de fertilidade causam, pois agora tinha aquele serzinho indefeso e precioso junto dela. Não questiono que a sensação deva mesmo ser essa. O ponto interessante foi que agora ela disse que o casal partiria novamente nessa empreitada médica, para tentar uma menina... Que o sonho deles agora era ter um menina...

Imediatamente, na minha ignorância paterna de quem só tem um gato pra cuidar (justamente porque gatos escolhem por quem, quando e se querem ser cuidados), disparei – “mas por que vocês não adotam uma menininha agora...??? Tem tanta criança esperando por um lar...” Esse pelo menos, na minha concepção, sempre foi um raciocínio lógico e inevitável... Tenho certas dificuldades de me ver como pai, mas certamente, caso venha a ser, creio que a experiência se tornaria verdadeiramente plena, com um outro filho, só que escolhido... Acho que é a oportunidade que Deus nos dá de subverter um destino que até então parecia fadado ao sofrimento...

Deixando as divagações de lado, fui fuzilado à queima roupa com: “ah... mas eu quero uma filha minha...

Fiquei ao mesmo tempo espantado e envergonhado... Espantando, pois sempre achei que filhos, não importam de onde venham, são sempre nossos filhos... Há quem diga que os filhos adotivos sejam de certa forma até mais amados, pois foram buscados, pinçados... Envergonhado, porque esse tipo de pensamento é próprio de quem até pode adotar uma criança e sair bem na foto. Só que em vez de ser um ato de altruísmo, pensado verdadeiramente em fazer um bem a uma criança, é um ato de egoísmo, de vaidade de quem quer ter satisfação pessoal apenas, de posição social, pois afinal uma mulher ou um casal sem filhos, devem padecer de alguma doença... E infelizmente são bem estas as pessoas que não têm pudores de gastar milhares de reais em tratamentos de fertilidade, que nem sempre dão certo, quando seria tão mais fácil canalizar estas despesas e esta energia na direção de quem não pede nada, além de um lar e principalmente de amor, que é grátis...

Tratando desse assunto com mulheres, haverá sempre aquelas que dirão que a maternidade é uma necessidade feminina e que nós, homens da caverna, jamais compreenderíamos isso. Pode ser...

Ultimamente tenho feito um paralelo deste raciocínio, acerca da adoção, com um outro pensamento, que ficou bem resumido em uma crônica da Lya Luft, na Revista Veja da morte do Michael Jackson, onde ela diz em uma frase: “Desejamos permanência, e nos empenhamos em destruir”. Não é raro pessoas que querem ter “filhos seus”, que consideram esta talvez a única forma (absurda) de se perpetuar, darem as costas a coisas simples e ordinárias como reciclar um lixo ou economizar um pouquinho de água, colaborando para um mundo muito pior, que será entregue justamente aos próprios “filhos seus”. E daí, o paradoxo se apresenta… Mas por vergonha, ou por espanto, eu paro a conversa muito antes deste ponto e volto para casa correndo para ver se o gato já foi alimentado…

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Valentes...


No dia 06 de junho comemoraram-se os 65 anos do Dia D. Sempre aparecem na TV as celebrações nas praias da Normandia. Em 1944 nem meus pais haviam nascido. Porém é de suma importância manter viva tal comemoração, para que nós e a as gerações que estão chegando, tenham ciência que vivemos anos luminosos sem o fantasma de uma guerra daquela proporção em curso. Sem a angústia de ter familiares mortos de uma forma tão estúpida.
Recentemente assisti “O Mais Longo dos Dias” e também o seriado da HBO – Band Of Brothers – 7 DVDs quase em uma só tacada. Histórias cheia de heróis, que me remetem a dois pensamentos: a gratidão que todo o mundo moderno deve à coragem daqueles, e o respeito à liberdade, vendida tão cara naqueles dias. Os veteranos que ainda comparecem às celebrações, hoje têm por volta de 80 anos, são como se pertecessem a outa época. Uma época em que movidos por um romantismo inocente, que não mais existe (muitos foram voluntários) e que foram lutar na Europa, contra um regime maléfico e distorcido, que assassinou milhões, cujo o único crime foi nascer de pais de etnia diversa. Acho que muitos sequer sabiam de fato, por que foram lutar. Mas hoje, tenho certeza de que estão orgulhosos porque sabem que a guerra deles era justa. Algumas guerras são mais justas que outras. E eles sabem que seus camaradas mortos naquela praia não morreram em vão, estejam eles sepultados sob a Estrela de Davi ou sob a Cruz Cristã. Esses vovôs são os verdadeiros valentes.

domingo, 15 de março de 2009

Happiness is a warm gun...


Felicidade pode ser um banho de piscina grátis, na manhã ensolarada do último domingo do verão...

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Seems I'm not alone at being alone...

dear catherine,

my life began when i found you. and i thought it had
ended when i failed to save you. i thought that hanging
on to your memory was keeping us bothalive. but i was wrong.
a woman named theresa showed me that if i was brave
enough to open my heart, i could love again, no matter
how terrible my grief. she made me realize i was only
half-alive. it scared me and it hurt.

and i didn't know how much i needed her until the night
i watched her fly away. when that airplane took off,
i felt something inside of me tear away. and i knew.
i should have stopped her. i should've followed her home.

and now tomorrow, i'm going to sail to the windy point
and i'm going to say goodbye to you. then i'm going to
go this woman and see if i can win her heart.
if i can, i know you'll bless me and bless us all.
if i can't, then i'm still blessed because
i've had the privilege of loving twice in my life.
she gave me that. and if i tell you i love
her as much as i loved you, thenyou'll know the whole story.
rest in peace, my love.

garrett

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Bolsa Ditadura: Uma tese, uma antítese e duas sínteses...


UMA TESE - Coluna Elio Gaspari – Folha de São Paulo – 11/05/2008: Em 1972, o professor Paulo Brossard foi posto para fora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul pelo governo militar e proibido de entrar nas suas dependências. Ele lecionava direito constitucional e, quando precisava de um livro, pedia à filha Magda que o buscasse na biblioteca. Brossard puniu a ditadura elegendo-se senador. Foi ministro da Justiça e deixou Brasília como ministro do Supremo Tribunal. Há milhares de pessoas que, muito justamente, foram buscar indenização pelo que pensaram. Brossard achou que, no seu caso, esse pedido não faria seu estilo.


UMA ANTÍTESE - O Estado de São Paulo – 04/04/2008 - Os jornalistas Ziraldo e Jaguar foram contemplados ontem com mais de R$ 1 milhão em indenizações pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, pelos alegados prejuízos que sofreram com a perseguição política durante o regime militar. O julgamento dos processos foi realizado na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio, juntamente com os de outros 18 jornalistas. "Aos que estão criticando, falando em bolsa-ditadura, estou me lixando. Esses críticos não tiveram a coragem de botar o dedo na ferida, enquanto eu não deixei de fazer minhas charges. Enquanto nós criticávamos o governo militar, eles tomavam cafezinho com Golbery", afirmou Ziraldo.

Ziraldo, escritor e chargista de sucesso, e o cartunista Jaguar, trabalhavam no Pasquim quando o semanário sofreu forte repressão por ser considerado ofensivo pela ditadura. Os dois receberão pensão mensal de cerca de R$ 4 mil. Jaguar e Ziraldo receberão ainda R$ 1.000.253,24. O montante, que será pago em parcelas, é retroativo a 1990, antes da criação da Comissão de Anistia, em 2001, porque os jornalistas já haviam feito o pedido, por meio da ABI, ao Ministério do Trabalho em 1990.


UMA SÍNTESE - Blog do Marcelo Tas – 07/04/2008: Enquanto eles combatiam destemidos nas trincheiras desenhando cartuns, escrevendo artigos com duplo sentido, entrevistando a si mesmos e tomando porres em Ipanema.

Sim, cada um a seu modo, teve uma postura crítica diante da cruel realidade brasileira na época, que aliás não mudou muito de lá para cá. Mas não fizeram isso por idealismo? Não fizeram isso porque era "a única coisa a ser feita naquela época"? Não fizeram isso porque eram legaizinhos e "prafrentex" como nos disseram através do Pasquim? Não é exatamente isso que se espera de pessoas honradas? Não é exatamente essa a postura de milhares, senão milhões de brasileiros que resistem a duras penas, à tremenda injustiça escancarada nas ruas pelos quatro cantos do país até hoje?

O que esses senhores recomendariam a cada brasileiro que hoje se sinta injustiçado por algo que aconteceu há 30 anos? Que contrate um bom advogado para tungar um milhãozinho dos cofres públicos? Quem diria que esses senhores, no final da vida, figuras que sempre posaram de boa gente, amantes do humanismo, combatentes das desigualdades, defensores dos bons costumes... fossem dar um aplique desse na gente? Depois de todo o blablablá de décadas, no ocaso de suas carreiras, coroarem o currículum vitae com a invenção da "Bolsa Ditadura"?! Que vergonha!

Tivemos que esperar esses anos todos para perceber, aos 45 do segundo tempo, que eles, esses velhinhos velhacos, são verdadeiramente, a geração perdida. Que este milhão arda no traseiro deles e o travesseiro não os deixe dormir em paz.

OUTRA SÍNTESE - O jornalista e humorista Millôr Fernandes concluiu dizendo o que acha das indenizações: “Eu pensava que eles estavam defendendo uma ideologia, mas estavam fazendo um investimento.”

É...

sábado, 17 de maio de 2008

Artur da Távola.

Que a vida nos ensine, a todos, a nunca dizer as verdades na hora da raiva. Que desta aproveitemos apenas a forma direta e lúcida pela qual as verdades se nos revelam por seu intermédio, mas para dizê-las depois. Que a vida ensine que tão ou mais difícil do que ter razão, é saber tê-la.

Que aquele garoto que não come, coma.

Que aquele que mata, não mate.

Que a moça esforçada se forme. Que o jovem jovie.

Que o velho velhe. Que a moça moce. Que a luz luza. Que a paz paze.

Que o som soe. Que a mãe manhe. Que o pai paie. Que o sol sole. Que o filho filhe. Que a árvore arvore.

Que o ninho aninhe. Que o mar mare. Que a cor core.Que o abraço abrace. Que o perdão perdoe.

Que tudo vire verbo e verbe. Verde. Como a esperança. Pois do jeito que o mundo vai, dá vontade de apagar e começar tudo de novo.

A vida é substantiva, nós é que somos adjetivos.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Daniel


- "What can I do for you"...???

Foi quando ela desviou os olhos das ondas que quebravam sob o pier, que ela observava da janela do restaurante.

A tarde caía. Frio. Uma pequena cidade pesqueira, já próspera outrora, à beira do Pacífico, hoje conservando apenas o charme dos locais onde as coisas aconteceram um dia, mas por qualquer razão, acabaram, deixando apenas o cenário de pano de fundo. Um lugar de romance, como aqueles que vemos nos melhores filmes do gênero. Um lugar perfeito para se encontrar alguém. Ou ser abandonado por ele.

O "What can I do for you", que a fez voltar à mesa 39, encostada na janela, veio também acompanhado de um sorriso. Um sorriso aberto, de traços marcantes e ângulos expressivos. Um sorriso que, há quem diga ser perigoso demais, por envolvente, em determinados momentos da vida.

E ela estava quase gritando por dentro. Seu peito parecia querer se despedaçar, acabando com aquele pouco que ainda se encaixava. Tinha decidido largar tudo, deixar as coisas como estavam e viajar. Sozinha. Achava que o tempo estava escoando muito depressa por entre seus dedos e acreditou nas palavras do Sal Paradise, no livro do Kerouac, que, "talvez em algum ponto da estrada, haveria visões... E a pérola lhe seria ofertada..." Comprou seu bilhete aéreo e foi. Sem família, amigos, parceiros. Sozinha. Era como estava, ou pelo menos sentia-se há tempos. Apenas colocou na mala e jogou a sua solidão para alguns milhares de kilômetros mais longe.

Daniel, como ela pode verificar no crachá, era o nome do jovem garçom que sorria. Com os olhos ainda meio fora de foco, seu corpo reagiu imediatamente àquele sorriso. Ele notou... Era um daqueles momentos em que nada há para ser dito, seja em que língua for. Sim - ela pensou, à beira da irracionalidade - ele poderia fazer muito por ela. Poderia desejá-la e fazê-la desejá-lo de maneira idêntica.

Naquela hora, embora a cabeça fervilhasse de sensações e sentimentos ambíguos e desconexos, ela conseguiu apenas gaguejar o pedido de uma pasta e uma taça de um vinho tinto da região. Seu inglês, que nunca havia sido dos melhores, tornara-se primário, quase ineficiente, como o de uma criança.

- Ok... - disse ele. E se retirou.

O restaurante parecia ser muito concorrido. Talvez pela comida que servia. Talvez pela vista do pier que oferecia, e isso ela não encontraria em menu nenhum. Os lampiões, que ela acreditava terem iluminado os antigos pescadores de sardinha, acendiam suas lâmpadas amareladas. Conseguiu retornar os 100 anos que a separavam desta época e vislumbrar os barcos pesqueiros atracando no pier, para descarregar a pesca do dia. Os velhos pescadores e seus cachimbos, agasalhados, ávidos por um leito aquecido. Os antigos galpões das fábricas, trabalhando à toda força para enlatar as toneladas de sardinha, que seriam mandadas por todo o país. Mas essa viagem no tempo tornava-se cada vez mais desconcentrada. Pois agora seus pensamentos insistiam em voltar ao presente e em pensar em Daniel. Ao mesmo tempo que olhava para a praia, revivendo o final do século passado, acompanhava dentro do restaurante todas as indas e vindas daquele sorriso, enquanto bebia alguns goles do seu vinho.

Quando seu prato chegou, ela soube. Soube que seria inevitável. Percebeu que algumas vezes, chegamos perto demais para recuar. O mesmo aconteceu com ele. Servia as outras pessoas, como se só houvesse ela sentada na mesa da janela. Os espelhos do restaurante eram insuficientes para rebater os olhares, os gestos e os sorrisos.

É claro que ela o esperou. Nem se deu ao trabalho de ir pensar no seu quarto de hotel um plano, uma desculpa, ensaiar uma frase feita, para voltar ao restaurante no dia seguinte, pois ele quase havia implorado para que ela ficasse.
Ela teria mais uma semana antes de voltar para casa, a ser distribuída em outras localidades. No entanto, percebera de forma clandestina que alterar os planos e as regras na metade do jogo, era uma das coisas mais excitantes da vida.

Os dias que se passaram foram repletos de alegria e luz. Sua felicidade beirava níveis astronômicos. Ela jamais havia sido tão intensamente feliz. O que houve nestes dias, ela pensava existir apenas nas prateleiras da sua biblioteca. Ela esperava o turno dele acabar, sentada à mesma mesa. Antecipou o check-out no hotel. Esqueceu de mandar os postais prometidos para as amigas que a rotularam de inconseqüente. Ele a ensinou a mergulhar naquelas águas geladas do Pacífico, na praia do pier. Ela tentou ensiná-lo a desenhar e pintar aquela paisagem, sem no entanto obter resultados muito empolgantes. Ele a deixou dirigir seu carro pelas estradas que pareciam querer acabar no oceano. Ela lhe servia o vinho quando estavam a sós, na casa dele. Tateavam um ao outro na escuridão. Podiam se identificar pelo cheiro, com fazem os grandes predadores com a sua presa. Eram velhos conhecidos, que nunca haviam se encontrado antes. Não perdiam um final de tarde no pier. A todos os bares, ele a levou.

O tempo se acabava. Mentiria se afirmasse não ter cogitado, mesmo que lá no fundo dos seus desejos, por alguns fragmentados segundos, esquecer sua vida até então, e iniciar uma outra, partindo deste ponto que se encontrava. Mas teve medo. Teria que voltar para casa.

Despediu-se dele, naquela última sexta-feira à noite, sem ilusões. Sabia que talvez levasse algum tempo para tornar a vê-lo. Teria que ir ainda até outra cidade, onde já deveria estar há muito tempo, para pegar o vôo para casa. Na segunda feira já estaria trabalhando, assim como ele, que teria o final de semana de folga.

Ela partiu com seu carro da praça do pier, novamente encarnando os velhos marujos que partiam dali com seus barcos. Sua jornada seria, no entanto, o caminho que nos leva novamente à vida real, depois do tempo em que fomos mais felizes.
Segunda de manhã. Sua vida ainda era a mesma. As mesmas pessoas, os mesmos caminhos, os mesmos lugares. Eram os mesmos, mas eram diferentes. Porque ela estava, e sabia que dali para frente, seria sempre diferente. A pérola, finalmente lhe fora ofertada, mais que oportunamente, naquele cenário marinho, que ela não voltou sem antes desenhá-lo com seu grafite.

Aprontou-se para voltar ao trabalho. Retirou da bagagem o sorriso que ele havia lhe dado. Colocou-o no rosto, tanto para parecer agradável aos que a rodeariam até as próximas férias, mas principalmente para tentar ainda estar de alguma forma com ele, com a expressão da beleza estampada, que se sobrepunha a sua melancolia. Assim, ele não estaria mais tão longe, à beira do Pacífico.

A segunda feira de trabalho para ele, começaria somente à noite. Turno das 17h00m. Sentiu a falta dela quando olhou para aquela mesa vazia encostada na janela do restaurante. Ainda tentou imaginar o que ela estaria fazendo naquela hora, calculando a diferença do fuso-horário. O sol vermelho não mais iluminava a silhueta e o perfil dela. Ele apenas se punha sob a janela, prenunciando uma noite fria. As gaivotas batiam asas sobre o pier e novos rostos iam e vinham. Luzes eram acesas na baía. Alguns albatrozes nem se importavam com a água gelada. Daniel coloca seu avental, arruma os cabelos negros no bar espelhado, e solicitado, segue para a mesa 39. A mesma vista da baía, a mesma praia, o mesmo pier com suas gaivotas. Ele se detém por um segundo. Duas garotas querem jantar. Ele abre um sorriso e solta: - "What can I do for you"...???

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Les yeux sans visage...



Em algum ponto da galáxia, onde vivem anjos, surfistas prateados, asgardianos e jedis, eles (Audrey e Modigliani) devem ter se encontrado e ele fez o portrait dela... Eu, daqui, só posso admirar a beleza de ambos e me pegar, nesses dias gelados de quase inverno curitibano, cantarolando "two drifters off to see the world, there's such a lot of world to see..."

domingo, 27 de abril de 2008

Tio, dá um trocado...??


O prefeito de Assis, cidade italiana onde nasceu e morreu São Francisco (1182-1226), devoto aos pobres, decretou a proibição de mendigos, informou o jornal La Reppublica. A medida impede a mendicância a menos de 500 metros das igrejas, lugares de culto, praças e edifícios públicos, segundo o documento assinado pelo prefeito de esquerda Claudio Ricci. Também foi proibido sentar e deitar no chão.

Francisco foi um revolucionário. Desprezou a vida cômoda de sua rica família italiana pela luta diária de viver, ao pé da letra, os ideais de outro subversivo chamado Jesus Cristo. Por isso desfez-se de todos os bens e saiu pelo mundo a pregar simplicidade, desapego, paz, alegria e amor pela vida e pela Natureza. Seu estilo hippie em pleno século 13 representava uma incômoda subversão de valores, para a sociedade e para a rica e pomposa Igreja. Francisco confundiu-se com os indigentes, vestia-se igual a eles, vivia sem bens como eles, aceitando o convite de Jesus aos apóstolos e discípulos: deixe tudo que tem e segue-me.

Hoje, Francisco já não poderia mais passar a menos de 500 metros dos edifícios públicos e igrejas da cidade que leva seu nome, sob pena de ser enxotado por um policial.

Ora, os lírios do campo não fiam nem tecem. Nus, eles se fecham e se dobram para não sucumbir à geada. Os pássaros do céu não ceifam nem colhem. Eles não perdem tempo escolhendo iguarias num cardápio. Aceitam humildemente todo alimento que a natureza coloca em seu caminho. Mas qualquer mendigo, como Francisco, por opção ou por nascença, na cidade dos pobres hoje, corre o risco de ser abatido...

"Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
é morrendo que se vive para a vida eterna."

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Modi...

Ele era Modi, ela era Noix-de-Coco - ou ele a chamava Haricot Rouge naquele inverno da Grande Guerra em Paris, quando os amantes não comiam nada a não ser feijão vermelho. Modigliani havia colhido uma flor recém-desabrochada e frágil entre as jovens alunas da Academia de Arte Colarossi. Ele - 33 anos. Ela - Jeanne, 19 anos, o último grande amor. Ele pintou-a na pose lânguida, sensual e alongada das mulheres de Modigliani. Ela fugiu de casa para partilhar sua vida miserável na rue de la Grand-Chaumière.

Mesmo com a mesada de Zbo, seu marchand, o dinheiro se esvaía em absinto e vinho, haxixe e cocaína. Quando Modigliani deixou de freqüentar o La Closerie des Lilas, foi encontrado, junto com Jeanne deitado em meio a latas de sardinha espalhadas pelo chão em seu apartamento. Modigliani, tuberculoso e sem dinheiro, comia sardinhas há 8 dias. No hospital de La Charité, beija a esposa e murmura por diversas vezes - "Cara Italia".

Ele morre dia 24 de janeiro de 1920, justo quando finalmente, sua obra começava a ser reconhecida. Jeanne volta para o apartamento dos pais na Rue Amyot e se joga do quinto andar, no dia seguinte, grávida de 09 meses. Os dois estão juntos, no cemitério Père-Lachaise:

AMEDEO MODIGLIANI
PINTOR
NASCIDO EM LIVORNO EM 12 DE JULHO DE 1884
MORTO EM PARIS EM 24 DE JANEIRO DE 1920
A MORTE O LEVOU
NO MOMENTO EM QUE
ELE ATINGIA A GLÓRIA

JEANNE HÉBUTERNE
NASCIDA EM PARIS EM 06 DE ABRIL DE 1898
MORTA EM PARIS EM 25 DE JANEIRO DE 1920
DE AMEDEO MODIGLIANI
COMPANHEIRA DEVOTA
ATÉ
O EXTREMO SACRIFÍCIO

Lógico que uma história dessas, só poderia ter Paris como pano de fundo. E visitar estes lugares ainda hoje - O atelier da Rue Ravignan, em Montmartre; o apartamento da Rue de Grand-Chaumière; o La Closerie de Lilas em Montparnasse (hoje tão luxuoso, que o próprio Modi teria que vender suas telas a preços atuais para poder freqüentar), até mesmo o cemitério Père-Lachaise e muitas outras ruas, é como voltar quase um século e respirar o ar dos amantes, na cidade que os abrigou.

Não por acaso, sua morte, no início de 1920, marca o início da década conhecida como les années folles, os anos loucos, onde Paris ferveu com todos os pintores, escritores, pensadores, músicos, bêbados, anjos e demônios, exilados dos Estados Unidos sob a lei seca. Foi a época em que todos precisavam estar em Paris, numa festa que durou até o final de 1929, com a quebra da bolsa americana. Mas daí, a história já estava feita...

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quinta-feira, 24 de abril de 2008

The Moon Represents my Heart...

Outro dia conversava com uma família de imigrantes chineses e mostrei a eles a música. Eles sabiam de cor e salteado, e me disseram que ela é a música que todos os namorados cantam para suas namoradas e vice-versa. Disparada a música romântica mais famosa da China. Para quem um dia acha que vai acabar tendo que aprender chinês, segue... Suave e delicada.

月亮代表我的心 - yuèliang dàibiǎo wǒ de xīn - The Moon Represents my Heart

你问我爱你有多深 - nǐ wèn wǒ ài nǐ yǒu duō shēn - You ask how deeply I love you,
我爱你有几分 - wǒ ài nǐ yǒu jǐ fēn - and just how great my love is.
我的情也真 - wǒ de qíng yě zhēn - My affection is real,
我的爱也真 - wǒ de ài yě zhēn - and my love is true.
月亮代表我的心 - yuèliang dàibiǎo wǒ de xīn - The moon represents my heart.

你问我爱你有多深 - nǐ wèn wǒ ài nǐ yǒu duō shēn - You ask how deeply I love you,
我爱你有几分 - wǒ ài nǐ yǒu jǐ fēn - and just how great my love is.
我的情不移 - nǐ qù xiǎng yī xiǎng - Consider this,
我的爱不变 - nǐ qù kàn yī kàn - and look above.
月亮代表我的心 - yuèliang dàibiǎo wǒ de xīn - The moon represents my heart.

轻轻的一个吻 - qīngqīng de yīgè wěn - So soft was the kiss
已经打动我的心 - yǐjīng dǎdòng wǒ de xīn - that has moved my heart.
深深的一段情 - shēnshēn de yīduàn qíng - Such a deep affection
教我思念到如今 - jiào wǒ sīniàn dào rújīn - makes me long for you now.

你问我爱你有多深 - nǐ wèn wǒ ài nǐ yǒu duō shēn - You ask how deeply I love you,
我爱你有几分 - wǒ ài nǐ yǒu jǐ fēn - and just how great my love is.
你去想一想 - wǒ de qíng bùyí - My affection does not waver
你去看一看 - wǒ de ài bùbiàn - and my love doesn't change.
月亮代表我的心 - yuèliang dàibiǎo wǒ de xīn - The moon represents my heart.

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sábado, 30 de setembro de 2006

The boy... 51 anos esta noite...


Hoje faz 51 anos que no cruzamento das rodovias US 466 e 41, na Califórnia, James Dean acelerou seu Porshe Spyder a 115 milhas por hora (quase 190 Km/h) e colidiu com uma limusine Plymouth... Morto na hora, com fratura na vértebra cervical... Aos 24 anos... Anos depois, viajando pela Califórnia, passei por esse cruzamento. Tínhamos naquela hora a mesma idade. Pensei como teria sido legal se pudesse estar ali no passado e sinalizar para que ele desviasse ou diminuísse a marcha... Mas, pensando bem, isso significaria que ele envelheceria, engordaria e faria filmes burocráticos impostos pelos estúdios. Que o seu triste sorriso acabaria se escondendo atrás das rugas e das marcas que povoam o rosto dos homens quando envelhecem e que afinal seria assim que ele acabaria sendo lembrado - o velho ator milionário que morre de ataque cardíaco, recluso em sua mansão em Beverly Hills... O mesmo destino trágico que o matou naquele dia, foi sua benção... A partir daí, ele será sempre jovem, mais rápido do que os raios do sol... Será sempre bonito e nunca entrará em decadência física ou moral. Se algum dia eu passar novamente naquele cruzamento de estradas, vou estar mais velho do que você, James Dean... Talvez tenha até conseguido construir algo de concreto... Mas você sempre será o menino do século XX... Você sempre terá 24 anos...

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Fora do tom...


acordei bemol
tudo estava sustenido
sol fazia
só não fazia sentido
(Paulo Leminski)

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Nada na mochila...



"Possua apenas o que você pode carregar. Conheça as línguas, conheça os países, conheça as pessoas. Deixe sua memória ser sua mala de viagem" (Aleksandr Isaevich Solzhenitsyn)

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Mãe, quero ser famoso...


Isso é que é material raro... Só existe um exemplar no mundo. Se tivéssemos ficado famosos, só com essa "fita-cassete" dava pra bancar o apartamento em Mônaco... Saudades dos tempos dos garotos que amavam os Beatles e os Rolling Stones (mais os Beatles do que os Rolling Stones - lógico), Rafa, Beto, Leandro e Fabiano.

Beautiful Boy...



John Lennon escreveu essa canção para Sean, seu único filho com Yoko Ono 
e a lançou em 1980, pouco antes de ser assassinado. A música fala da alegria 
de John em ser pai novamente e a felicidade que Sean lhe trazia. Também, 
era uma forma de dizer ao pequeno Sean que ele não se preocupasse, 
que seu pai não iria incorrer no mesmo erro, de deixá-lo crescer sem 
estar por perto, como aconteceu com seu primeiro filho Julian, que nascera 
em 1963, o auge da loucura da Beatlemania.
É uma homenagem a todos os meninos bonitos, principalmente um que 
vem freqüentando minha casa nesses últimos meses e a cada dia que passa 
faz mais jus ao título da música.

Beautiful Boy (Darling Boy)

Feche seus olhos
Não tenha medo
O monstro se foi
Ele está correndo e seu papai está aqui

Bonito, bonito, bonito
Menino bonito
Bonito, bonito, bonito
Menino bonito

Antes de dormir
Faça uma pequena oração
Diariamente em todos os sentidos
Está melhorando e melhorando

Lá fora no oceano que veleja afora
Eu quase não posso esperar
Para ver você virar gente...
Mas eu acho que vamos apenas ter que ser paciente
Porque o caminho é longo
Uma vida dura para vencer
Sim é um caminho longo
Mas enquanto isso

Antes que você atravesse a rua
Segure minha mão
Vida é o que acontece a você
Enquanto você está ocupado fazendo outros planos

Antes de dormir
Faça uma pequena oração
Diariamente em todos os sentidos
Está melhorando e melhorando

Bonito, bonito, bonito
Menino bonito (Menino querido)

Quem quiser assistir ao velho John cantar para o filho...


sexta-feira, 8 de setembro de 2006

King David.


Acidentalmente, caí na Wikipédia, no verbete “David”, e descobri que hoje, dia 08 de setembro, faz exatos 502 anos que o DAVID de Michelângelo, com mais de 5 metros de mármore, foi revelado pelo seu escultor, em Florença. Por ter um interesse especial na figura bíblica do Rei Davi, fiquei muito impressionado aos pés da escultura, no museu da academia em Florença, que retrata justamente o momento que antecedeu a grande batalha contra o gigante Golias. Conta a história ainda, que Davi todos os dias depois de exercer suas funções de Rei, passava noite adentro em estudos e depois da meia noite, compunha seus cânticos, súplicas e louvores até o amanhecer. Desta reverência ao Criador surgiu sua obra sagrada: os Salmos.

E aproveitando, transcrevo a parte inicial e final do meu preferido, Salmo 139, do Rei Davi:

Senhor, Tu me sondas, e me conheces.
Sabes quando me assento e quando me levanto; de longe penetras os meus pensamentos.
Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar e conheces todos os meus caminhos.
Ainda a palavra não me chegou à língua e Tu, Senhor, já a conheces toda.

Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos;
vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.

Independência ou Morte...



Programa legal de feriadão em Curitiba é ficar assistindo na TV as filas na estrada para o litoral de Santa Catarina. Primeiro, do povaréu indo, como se o mar fosse secar e virar sertão. Depois, do mesmo povaréu voltando, no domingo. Curitibano que é curitibano mesmo, tem que se mandar para as praias catarinenses em feriado prolongado. Ano novo e carnaval então, é lei... Tem que ir... Pessoalmente acho que é justamente nessas datas que Curitiba fica muito melhor, pela total falta de vocação festeira.
Quanto aos engarrafamentos, isso não é viagem... Isso é tortura... E não basta ficar preso dentro do carro... Tem que levar os dois filhos e o sobrinho junto, pra criançada ficar lutando no banco de trás e pedindo pra beber água ou fazer xixi... Me faz lembrar daquele filme com o Michael Douglas - UM DIA DE FÚRIA - Em que ele fica preso em um engarrafamento num tórrido dia de verão de Los Angeles, surta e decide abandonar seu carro no local e seguir para a casa de sua ex-esposa a pé. Armado e atirando pra tudo que é lado. Filme, engarrafamento, gente atirando e motoristas de fim de semana. Fico em casa.

Pretexto


Cogito, ergo sum...