terça-feira, 30 de outubro de 2012
sábado, 6 de março de 2010
The Boy III - 50 anos.

domingo, 14 de fevereiro de 2010
Sunday Bloody Sunday

Marcadores: Derry, Lennon, Sunday Bloody Sunday, U2
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Por una cabeza...

domingo, 22 de novembro de 2009
Último trago em Paris II
Só corroborando o post anterior, a coisa tá tão ridícula que o cartaz do filme da Coco Chanel, aqui no Brasil, foi modificado, tirando o cigarrinho e colocando na mão da Audrey um caneta... Uncroyable....Marcadores: Cigarro, Coco Chanel, Paris
Último trago em Paris.
A proibição de mostrar o consumo de tabaco em peças publicitárias no metrô de Paris motivou a retirada de um cartaz do filme "Gainsbourg (vie héroïque)", sobre a vida do cantor Serge Gainsbourg. No cartaz do filme de Joann Sfar, o ator Eric Elmosnino aparece soltando fumaça pela boca.
A simples citação ao ato de fumar foi suficiente para que o cartaz fosse considerado uma incitação ao consumo de tabaco pelos administradores do metrô, que temem receber uma multa de até 100 mil euros.
Pois é… Inacreditavelmente até a França, pátria do Gauloises e do Gitanes, os cigarros mais machos e fedidos do mundo, sucumbiu…
Não sou fumante e também não sou alheio à todos os males que o cigarro comprovadamente causa. Mas acho que lá, como cá, há um exagero desmedido com relação à proibição sem ressalvas que pipocam dia a dia.
Nos EUA tudo bem, porque lá tudo é diferente mesmo… Mas como ficam aqueles velhos românticos que sempre sonharam dar umas baforadas como os heróis do velho mundo…??? O que é um bar em Madrid sem fumaça…??? O que é um pub irlandês sem um ambiente insalubre, para beber uma Guinness sentado no balcão…??? O que é um intelectual francês no Café de Flore sem seu cigarro…??? E o que é uma foto de Gainsbourg sem seus cigarros….???? E Jean-Paul Sartre então...??? Nunca mais uma tragada no Les Deux Magots ou no Cafe de La Paix na saída da ópera!!!???!!!
Talvez chegue um tempo em que os viajantes que davam seus tragos na terra da liberdade da igualdade e da fraternidade, tenham agora que correr para uma Cuba da vida, para poderem aproveitar suas baforadas de forma livre e democrática, sem nenhum fiscal dos bons costumes ou algum policial cortando seu barato… E viva la revolución…
Marcadores: Cigarro, Cuba, Gainsbourg, Gauloises, Gitanes, Paris
domingo, 8 de novembro de 2009
Te cuida Luciano Huck ¡¡¡¡
Marcadores: Angelica, anos 80, Cascavelettes, Eu quis comer você
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Todavia, contudo, entretanto....

Marcadores: Mickey Rourke, Quasímodo
domingo, 13 de setembro de 2009
We'll always have Paris...
Marcadores: Casablanca, Here's looking at you kid., Ilsa, Rick, We'll always have Paris
domingo, 30 de agosto de 2009
The Boy II



Marcadores: Coração Satânico, Harry Angel, James Dean, Mickey Rourke, Revista SET
terça-feira, 25 de agosto de 2009
A Taste of Honey...

A cidade era bem simpática, tranquila e aconchegante. Era feriado. Não me lembro muito bem em que época do ano estávamos. Eu já estava viajando há algum tempo sozinho, de maneira que o tempo do calendário não tinha muita importância. Apenas me lembro que estava frio, mais frio que no resto do país, devido a altitude em que ficava a cidade.
Eram duas horas da tarde quando cheguei em Flagstaff, na estação de trem, vindo de Phoenix, com o intuito principal de no dia seguinte, se eu conseguisse fazer uma reserva em algum ônibus, ir conhecer o imponente Grand Canyon. Estava com sorte, e logo tinha em minhas mãos um passe de ida e volta no ônibus que sairia às 7h30m da manhã do dia seguinte.
Arranjado o principal, segui pela mesma rua da estação, que mais tarde percebi ser um trecho da Route 66 que cortava a cidade, com a finalidade de achar um quarto para poder descansar um pouco, pois minha mochila começava a ficar cada vez mais pesada. Um motel, à beira da 66 resolveu o problema. Era a própria encarnação do ideal Beat - uma mochila com algumas roupas, não muitos dólares no bolso, alguns livros comprados pelo caminho e principalmente, um quarto de motel barato, no térreo, com uma janela sem trancas debruçada sobre a imortal rodovia. Olhando por essa janela, o movimento de carros, motos e caminhões, vi passar o espírito de todos os viajantes, principalmente os solitários, que é ir. Ir, nas palavras do velho Jack Kerouac, ir, não importa para onde, mas ir, estar sempre em movimento.
Mesmo a profundidade desta divagações, não foram suficientes para abafar os ruídos do meu estômago, lembrando-me que, já estávamos com a tarde bem avançada, e eu ainda não havia comido nada durante o dia todo. Deixei a mochila no quarto e saí, para tentar uma maior intimidade com Flagstaff. A cidade resumia-se na avenida principal, ou seja, a Route 66, onde localizavam-se, lojas de souvenirs, cafés, lanchonetes e bares, a estação ferroviária, enfim, parece que nada havia além de onde eu estava.
Com isso, o dia já estava chegando ao seu final. Entrei, com uma certa pressa, em uma lanchonete da cadeia Jack in the Box, para a primeira refeição do dia, tirando a latinha de Coca, tomada na viagem. Confesso que me tornei um especialista em todas esta cadeias de fast-food americanas. Mas, neste Jack in the Box, era minha primeira vez. No próprio balcão pedi um "Big-não-sei-o-que", um refrigerante e como a fome não seria saciada só com este "Big", pedi um "taco", comida mexicana que quase havia me desidratado num bar do Texas. Só que, no momento em que complementei meu pedido com um "taco", a atendente virou-se para mim e esboçou um sorriso, como que achando engraçado meu sotaque ao pronunciar "taco" em inglês. Tive que apontar para a figura do bendito "taco" no painel. Sorriso perfeito, dentes perfeitos, grandes olhos azuis e cabelos castanhos claros, que pude ver pelas mechas que caiam de dentro do boné sobre a nuca. Peguei o meu pedido e escolhi uma mesa.
A lanchonete estava razoavelmente cheia. Ao meu lado havia um casal de senhores com uma aparência bem simpática e mais afastado, estavam duas moças, que também chamavam a atenção pela beleza. Pensei ao mesmo tempo que engolia o sanduíche: "Flagstaff tem as mulheres mais bonitas dos Estados Unidos...".
Quando dei por mim, a atendente do sorriso, estava de pé, conversando com o casal da mesa ao lado. O senhor disse que se chamava John, mas seu apelido era Jack, igual ao nome da lanchonete. Com o mesmo sorriso, a atendente disse que seu nome era muito estranho, e que pessoalmente, não gostava dele. Chamava-se Honey. E, quando disse que seu nome não combinava com ela, fiz um sinal de negativo com a cabeça para mim mesmo, achando que não poderia haver um nome mais acertado. Ela notou meu movimento e completou: "Meu pai sempre diz que nunca deveríamos ter te chamado de Honey, mas sim de algo como azedo ou amargo...". E sorriu. Novamente.
Fiquei por muito tempo ainda sentado lá, fazendo minhas anotações de gastos e planejamentos futuros da viagem. Quando as anotações acabaram, ainda fingi que estava escrevendo algo muito importante. Saí da lanchonete, e me despedi com um leve aceno com a cabeça.
Já no meu quarto, bem alimentado para os padrões norte-americanos, decidi ir até uma praça que havia visto à tarde e que segundo haviam me informado, era lá que estavam a maior concentração de bares e cafés.
Eram 22h00m, quando entrei no bar mais cheio, para não dizer o único aberto naquele feriado, e sentei-me no balcão. Era um local rústico, onde fabricavam uma cerveja artesanal, vermelha, servida em jarras, e grandes copos de quase 1 litro. Pedi um copo. Acho que o sujeito ficou ofendido, porque pedi uma Budweiser de cara.
Havia pouca gente no bar. Alguns casais jogavam dardos. Os quase 2 litros de cerveja já estavam começando a fazer efeito. Lembrei que teria que acordar bem cedo no dia seguinte. Deixei cinco dólares sobre o balcão, e voltei para o motel com um sorriso meio bobo estampado no rosto. Uma mistura de sentir de fato o significado de estar e de ser livre, com alguns muitos mls. de cerveja artesanal.
O dia seguinte foi espetacular. A visita ao Parque Nacional do Grand Canyon é algo indescritível. Voltei no mesmo dia, às 4 da tarde, mas só com o tempo de pegar minhas coisas no motel, colocar alguns postais na caixa de coleta e seguir para a rodoviária, onde pegaria um ônibus para Las Vegas. Fiquei tentado em correr até o Jack in the Box, novamente. Não fui.
Comprei um daqueles leites achocolatados e embarquei. Flagstaff, como era o grande fundamento daquela viagem, teria que ficar para trás. Nada poderia ser como nosso cotidiano em que vivemos nos apegando a coisas e lugares. Tinha que olhar para frente. E assim foi. A cidade que tinha "as mulheres mais bonitas dos Estados Unidos", foi ficando para trás, à medida que o ônibus andava sobre a 66 para pegar a Interestadual.
Coloquei meu fone de ouvido. As estradas empoeiradas do deserto de Nevada começavam a aparecer. Reclinei o banco e me perdi observando a paisagem árida. Mas, mesmo assim, 3 dúvidas martelavam minha cabeça:
- Teria sorte no jogo em Las Vegas ?
- Como é que se pronunciava "TACO" em inglês afinal ?
- Porque eu não retribuí o sorriso ?
Marcadores: Flagstaff, Grand Canyon, Honey, Jack in the box, Route 66, Tacos
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Thundercat...

sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Forever Young...

Dia desses conversava com uma amiga que depois de muito tentar, conseguiu engravidar e ter o seu primeiro filho. Ela justamente me dizia o quanto havia valido a pena o sofrimento que esses tratamentos de fertilidade causam, pois agora tinha aquele serzinho indefeso e precioso junto dela. Não questiono que a sensação deva mesmo ser essa. O ponto interessante foi que agora ela disse que o casal partiria novamente nessa empreitada médica, para tentar uma menina... Que o sonho deles agora era ter um menina...
Imediatamente, na minha ignorância paterna de quem só tem um gato pra cuidar (justamente porque gatos escolhem por quem, quando e se querem ser cuidados), disparei – “mas por que vocês não adotam uma menininha agora...??? Tem tanta criança esperando por um lar...” Esse pelo menos, na minha concepção, sempre foi um raciocínio lógico e inevitável... Tenho certas dificuldades de me ver como pai, mas certamente, caso venha a ser, creio que a experiência se tornaria verdadeiramente plena, com um outro filho, só que escolhido... Acho que é a oportunidade que Deus nos dá de subverter um destino que até então parecia fadado ao sofrimento...
Deixando as divagações de lado, fui fuzilado à queima roupa com: “ah... mas eu quero uma filha minha...”
Fiquei ao mesmo tempo espantado e envergonhado... Espantando, pois sempre achei que filhos, não importam de onde venham, são sempre nossos filhos... Há quem diga que os filhos adotivos sejam de certa forma até mais amados, pois foram buscados, pinçados... Envergonhado, porque esse tipo de pensamento é próprio de quem até pode adotar uma criança e sair bem na foto. Só que em vez de ser um ato de altruísmo, pensado verdadeiramente em fazer um bem a uma criança, é um ato de egoísmo, de vaidade de quem quer ter satisfação pessoal apenas, de posição social, pois afinal uma mulher ou um casal sem filhos, devem padecer de alguma doença... E infelizmente são bem estas as pessoas que não têm pudores de gastar milhares de reais em tratamentos de fertilidade, que nem sempre dão certo, quando seria tão mais fácil canalizar estas despesas e esta energia na direção de quem não pede nada, além de um lar e principalmente de amor, que é grátis...
Tratando desse assunto com mulheres, haverá sempre aquelas que dirão que a maternidade é uma necessidade feminina e que nós, homens da caverna, jamais compreenderíamos isso. Pode ser...
Ultimamente tenho feito um paralelo deste raciocínio, acerca da adoção, com um outro pensamento, que ficou bem resumido em uma crônica da Lya Luft, na Revista Veja da morte do Michael Jackson, onde ela diz em uma frase: “Desejamos permanência, e nos empenhamos em destruir”. Não é raro pessoas que querem ter “filhos seus”, que consideram esta talvez a única forma (absurda) de se perpetuar, darem as costas a coisas simples e ordinárias como reciclar um lixo ou economizar um pouquinho de água, colaborando para um mundo muito pior, que será entregue justamente aos próprios “filhos seus”. E daí, o paradoxo se apresenta… Mas por vergonha, ou por espanto, eu paro a conversa muito antes deste ponto e volto para casa correndo para ver se o gato já foi alimentado…
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Valentes...

domingo, 15 de março de 2009
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Seems I'm not alone at being alone...
ended when i failed to save you. i thought that hanging
on to your memory was keeping us bothalive. but i was wrong.
a woman named theresa showed me that if i was brave
enough to open my heart, i could love again, no matter
how terrible my grief. she made me realize i was only
half-alive. it scared me and it hurt.
and i didn't know how much i needed her until the night
i watched her fly away. when that airplane took off,
i felt something inside of me tear away. and i knew.
i should have stopped her. i should've followed her home.
and now tomorrow, i'm going to sail to the windy point
and i'm going to say goodbye to you. then i'm going to
go this woman and see if i can win her heart.
if i can, i know you'll bless me and bless us all.
if i can't, then i'm still blessed because
i've had the privilege of loving twice in my life.
she gave me that. and if i tell you i love
her as much as i loved you, thenyou'll know the whole story.
rest in peace, my love.
garrett
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Bolsa Ditadura: Uma tese, uma antítese e duas sínteses...

UMA ANTÍTESE - O Estado de São Paulo – 04/04/2008 - Os jornalistas Ziraldo e Jaguar foram contemplados ontem com mais de R$ 1 milhão em indenizações pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, pelos alegados prejuízos que sofreram com a perseguição política durante o regime militar. O julgamento dos processos foi realizado na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio, juntamente com os de outros 18 jornalistas. "Aos que estão criticando, falando em bolsa-ditadura, estou me lixando. Esses críticos não tiveram a coragem de botar o dedo na ferida, enquanto eu não deixei de fazer minhas charges. Enquanto nós criticávamos o governo militar, eles tomavam cafezinho com Golbery", afirmou Ziraldo.
Ziraldo, escritor e chargista de sucesso, e o cartunista Jaguar, trabalhavam no Pasquim quando o semanário sofreu forte repressão por ser considerado ofensivo pela ditadura. Os dois receberão pensão mensal de cerca de R$ 4 mil. Jaguar e Ziraldo receberão ainda R$ 1.000.253,24. O montante, que será pago em parcelas, é retroativo a 1990, antes da criação da Comissão de Anistia, em 2001, porque os jornalistas já haviam feito o pedido, por meio da ABI, ao Ministério do Trabalho em 1990.
UMA SÍNTESE - Blog do Marcelo Tas – 07/04/2008: Enquanto eles combatiam destemidos nas trincheiras desenhando cartuns, escrevendo artigos com duplo sentido, entrevistando a si mesmos e tomando porres em Ipanema.
Sim, cada um a seu modo, teve uma postura crítica diante da cruel realidade brasileira na época, que aliás não mudou muito de lá para cá. Mas não fizeram isso por idealismo? Não fizeram isso porque era "a única coisa a ser feita naquela época"? Não fizeram isso porque eram legaizinhos e "prafrentex" como nos disseram através do Pasquim? Não é exatamente isso que se espera de pessoas honradas? Não é exatamente essa a postura de milhares, senão milhões de brasileiros que resistem a duras penas, à tremenda injustiça escancarada nas ruas pelos quatro cantos do país até hoje?
O que esses senhores recomendariam a cada brasileiro que hoje se sinta injustiçado por algo que aconteceu há 30 anos? Que contrate um bom advogado para tungar um milhãozinho dos cofres públicos? Quem diria que esses senhores, no final da vida, figuras que sempre posaram de boa gente, amantes do humanismo, combatentes das desigualdades, defensores dos bons costumes... fossem dar um aplique desse na gente? Depois de todo o blablablá de décadas, no ocaso de suas carreiras, coroarem o currículum vitae com a invenção da "Bolsa Ditadura"?! Que vergonha!
Tivemos que esperar esses anos todos para perceber, aos 45 do segundo tempo, que eles, esses velhinhos velhacos, são verdadeiramente, a geração perdida. Que este milhão arda no traseiro deles e o travesseiro não os deixe dormir em paz.
OUTRA SÍNTESE - O jornalista e humorista Millôr Fernandes concluiu dizendo o que acha das indenizações: “Eu pensava que eles estavam defendendo uma ideologia, mas estavam fazendo um investimento.”
É...
sábado, 17 de maio de 2008
Artur da Távola.
Que a vida nos ensine, a todos, a nunca dizer as verdades na hora da raiva. Que desta aproveitemos apenas a forma direta e lúcida pela qual as verdades se nos revelam por seu intermédio, mas para dizê-las depois. Que a vida ensine que tão ou mais difícil do que ter razão, é saber tê-la. Que aquele garoto que não come, coma.
Que aquele que mata, não mate.
Que a moça esforçada se forme. Que o jovem jovie.
Que o velho velhe. Que a moça moce. Que a luz luza. Que a paz paze.
Que o som soe. Que a mãe manhe. Que o pai paie. Que o sol sole. Que o filho filhe. Que a árvore arvore.
Que o ninho aninhe. Que o mar mare. Que a cor core.Que o abraço abrace. Que o perdão perdoe.
Que tudo vire verbo e verbe. Verde. Como a esperança. Pois do jeito que o mundo vai, dá vontade de apagar e começar tudo de novo.
A vida é substantiva, nós é que somos adjetivos.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Daniel

Foi quando ela desviou os olhos das ondas que quebravam sob o pier, que ela observava da janela do restaurante.
A tarde caía. Frio. Uma pequena cidade pesqueira, já próspera outrora, à beira do Pacífico, hoje conservando apenas o charme dos locais onde as coisas aconteceram um dia, mas por qualquer razão, acabaram, deixando apenas o cenário de pano de fundo. Um lugar de romance, como aqueles que vemos nos melhores filmes do gênero. Um lugar perfeito para se encontrar alguém. Ou ser abandonado por ele.
O "What can I do for you", que a fez voltar à mesa 39, encostada na janela, veio também acompanhado de um sorriso. Um sorriso aberto, de traços marcantes e ângulos expressivos. Um sorriso que, há quem diga ser perigoso demais, por envolvente, em determinados momentos da vida.
E ela estava quase gritando por dentro. Seu peito parecia querer se despedaçar, acabando com aquele pouco que ainda se encaixava. Tinha decidido largar tudo, deixar as coisas como estavam e viajar. Sozinha. Achava que o tempo estava escoando muito depressa por entre seus dedos e acreditou nas palavras do Sal Paradise, no livro do Kerouac, que, "talvez em algum ponto da estrada, haveria visões... E a pérola lhe seria ofertada..." Comprou seu bilhete aéreo e foi. Sem família, amigos, parceiros. Sozinha. Era como estava, ou pelo menos sentia-se há tempos. Apenas colocou na mala e jogou a sua solidão para alguns milhares de kilômetros mais longe.
Daniel, como ela pode verificar no crachá, era o nome do jovem garçom que sorria. Com os olhos ainda meio fora de foco, seu corpo reagiu imediatamente àquele sorriso. Ele notou... Era um daqueles momentos em que nada há para ser dito, seja em que língua for. Sim - ela pensou, à beira da irracionalidade - ele poderia fazer muito por ela. Poderia desejá-la e fazê-la desejá-lo de maneira idêntica.
Naquela hora, embora a cabeça fervilhasse de sensações e sentimentos ambíguos e desconexos, ela conseguiu apenas gaguejar o pedido de uma pasta e uma taça de um vinho tinto da região. Seu inglês, que nunca havia sido dos melhores, tornara-se primário, quase ineficiente, como o de uma criança.
- Ok... - disse ele. E se retirou.
O restaurante parecia ser muito concorrido. Talvez pela comida que servia. Talvez pela vista do pier que oferecia, e isso ela não encontraria em menu nenhum. Os lampiões, que ela acreditava terem iluminado os antigos pescadores de sardinha, acendiam suas lâmpadas amareladas. Conseguiu retornar os 100 anos que a separavam desta época e vislumbrar os barcos pesqueiros atracando no pier, para descarregar a pesca do dia. Os velhos pescadores e seus cachimbos, agasalhados, ávidos por um leito aquecido. Os antigos galpões das fábricas, trabalhando à toda força para enlatar as toneladas de sardinha, que seriam mandadas por todo o país. Mas essa viagem no tempo tornava-se cada vez mais desconcentrada. Pois agora seus pensamentos insistiam em voltar ao presente e em pensar em Daniel. Ao mesmo tempo que olhava para a praia, revivendo o final do século passado, acompanhava dentro do restaurante todas as indas e vindas daquele sorriso, enquanto bebia alguns goles do seu vinho.
Quando seu prato chegou, ela soube. Soube que seria inevitável. Percebeu que algumas vezes, chegamos perto demais para recuar. O mesmo aconteceu com ele. Servia as outras pessoas, como se só houvesse ela sentada na mesa da janela. Os espelhos do restaurante eram insuficientes para rebater os olhares, os gestos e os sorrisos.
É claro que ela o esperou. Nem se deu ao trabalho de ir pensar no seu quarto de hotel um plano, uma desculpa, ensaiar uma frase feita, para voltar ao restaurante no dia seguinte, pois ele quase havia implorado para que ela ficasse.
Ela teria mais uma semana antes de voltar para casa, a ser distribuída em outras localidades. No entanto, percebera de forma clandestina que alterar os planos e as regras na metade do jogo, era uma das coisas mais excitantes da vida.
Os dias que se passaram foram repletos de alegria e luz. Sua felicidade beirava níveis astronômicos. Ela jamais havia sido tão intensamente feliz. O que houve nestes dias, ela pensava existir apenas nas prateleiras da sua biblioteca. Ela esperava o turno dele acabar, sentada à mesma mesa. Antecipou o check-out no hotel. Esqueceu de mandar os postais prometidos para as amigas que a rotularam de inconseqüente. Ele a ensinou a mergulhar naquelas águas geladas do Pacífico, na praia do pier. Ela tentou ensiná-lo a desenhar e pintar aquela paisagem, sem no entanto obter resultados muito empolgantes. Ele a deixou dirigir seu carro pelas estradas que pareciam querer acabar no oceano. Ela lhe servia o vinho quando estavam a sós, na casa dele. Tateavam um ao outro na escuridão. Podiam se identificar pelo cheiro, com fazem os grandes predadores com a sua presa. Eram velhos conhecidos, que nunca haviam se encontrado antes. Não perdiam um final de tarde no pier. A todos os bares, ele a levou.
O tempo se acabava. Mentiria se afirmasse não ter cogitado, mesmo que lá no fundo dos seus desejos, por alguns fragmentados segundos, esquecer sua vida até então, e iniciar uma outra, partindo deste ponto que se encontrava. Mas teve medo. Teria que voltar para casa.
Despediu-se dele, naquela última sexta-feira à noite, sem ilusões. Sabia que talvez levasse algum tempo para tornar a vê-lo. Teria que ir ainda até outra cidade, onde já deveria estar há muito tempo, para pegar o vôo para casa. Na segunda feira já estaria trabalhando, assim como ele, que teria o final de semana de folga.
Ela partiu com seu carro da praça do pier, novamente encarnando os velhos marujos que partiam dali com seus barcos. Sua jornada seria, no entanto, o caminho que nos leva novamente à vida real, depois do tempo em que fomos mais felizes.
Segunda de manhã. Sua vida ainda era a mesma. As mesmas pessoas, os mesmos caminhos, os mesmos lugares. Eram os mesmos, mas eram diferentes. Porque ela estava, e sabia que dali para frente, seria sempre diferente. A pérola, finalmente lhe fora ofertada, mais que oportunamente, naquele cenário marinho, que ela não voltou sem antes desenhá-lo com seu grafite.
Aprontou-se para voltar ao trabalho. Retirou da bagagem o sorriso que ele havia lhe dado. Colocou-o no rosto, tanto para parecer agradável aos que a rodeariam até as próximas férias, mas principalmente para tentar ainda estar de alguma forma com ele, com a expressão da beleza estampada, que se sobrepunha a sua melancolia. Assim, ele não estaria mais tão longe, à beira do Pacífico.
A segunda feira de trabalho para ele, começaria somente à noite. Turno das 17h00m. Sentiu a falta dela quando olhou para aquela mesa vazia encostada na janela do restaurante. Ainda tentou imaginar o que ela estaria fazendo naquela hora, calculando a diferença do fuso-horário. O sol vermelho não mais iluminava a silhueta e o perfil dela. Ele apenas se punha sob a janela, prenunciando uma noite fria. As gaivotas batiam asas sobre o pier e novos rostos iam e vinham. Luzes eram acesas na baía. Alguns albatrozes nem se importavam com a água gelada. Daniel coloca seu avental, arruma os cabelos negros no bar espelhado, e solicitado, segue para a mesa 39. A mesma vista da baía, a mesma praia, o mesmo pier com suas gaivotas. Ele se detém por um segundo. Duas garotas querem jantar. Ele abre um sorriso e solta: - "What can I do for you"...???
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Les yeux sans visage...


domingo, 27 de abril de 2008
Tio, dá um trocado...??

Hoje, Francisco já não poderia mais passar a menos de 500 metros dos edifícios públicos e igrejas da cidade que leva seu nome, sob pena de ser enxotado por um policial.
Ora, os lírios do campo não fiam nem tecem. Nus, eles se fecham e se dobram para não sucumbir à geada. Os pássaros do céu não ceifam nem colhem. Eles não perdem tempo escolhendo iguarias num cardápio. Aceitam humildemente todo alimento que a natureza coloca em seu caminho. Mas qualquer mendigo, como Francisco, por opção ou por nascença, na cidade dos pobres hoje, corre o risco de ser abatido...
"Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
é morrendo que se vive para a vida eterna."
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Modi...
Ele era Modi, ela era Noix-de-Coco - ou ele a chamava Haricot Rouge naquele inverno da Grande Guerra em Paris, quando os amantes não comiam nada a não ser feijão vermelho. Modigliani havia colhido uma flor recém-desabrochada e frágil entre as jovens alunas da Academia de Arte Colarossi. Ele - 33 anos. Ela - Jeanne, 19 anos, o último grande amor. Ele pintou-a na pose lânguida, sensual e alongada das mulheres de Modigliani. Ela fugiu de casa para partilhar sua vida miserável na rue de la Grand-Chaumière.PINTOR
NASCIDO EM LIVORNO EM 12 DE JULHO DE 1884
MORTO EM PARIS EM 24 DE JANEIRO DE 1920
A MORTE O LEVOU
NO MOMENTO EM QUE
ELE ATINGIA A GLÓRIA
JEANNE HÉBUTERNE
NASCIDA EM PARIS EM 06 DE ABRIL DE 1898
MORTA EM PARIS EM 25 DE JANEIRO DE 1920
DE AMEDEO MODIGLIANI
COMPANHEIRA DEVOTA
ATÉ
O EXTREMO SACRIFÍCIO
Lógico que uma história dessas, só poderia ter Paris como pano de fundo. E visitar estes lugares ainda hoje - O atelier da Rue Ravignan, em Montmartre; o apartamento da Rue de Grand-Chaumière; o La Closerie de Lilas em Montparnasse (hoje tão luxuoso, que o próprio Modi teria que vender suas telas a preços atuais para poder freqüentar), até mesmo o cemitério Père-Lachaise e muitas outras ruas, é como voltar quase um século e respirar o ar dos amantes, na cidade que os abrigou.
Não por acaso, sua morte, no início de 1920, marca o início da década conhecida como les années folles, os anos loucos, onde Paris ferveu com todos os pintores, escritores, pensadores, músicos, bêbados, anjos e demônios, exilados dos Estados Unidos sob a lei seca. Foi a época em que todos precisavam estar em Paris, numa festa que durou até o final de 1929, com a quebra da bolsa americana. Mas daí, a história já estava feita...
Marcadores: Anos Loucos, Jeanne, Modi, Modigliani, Paris
quinta-feira, 24 de abril de 2008
The Moon Represents my Heart...
月亮代表我的心 - yuèliang dàibiǎo wǒ de xīn - The Moon Represents my Heart
你问我爱你有多深 - nǐ wèn wǒ ài nǐ yǒu duō shēn - You ask how deeply I love you,
我爱你有几分 - wǒ ài nǐ yǒu jǐ fēn - and just how great my love is.
我的情也真 - wǒ de qíng yě zhēn - My affection is real,
我的爱也真 - wǒ de ài yě zhēn - and my love is true.
月亮代表我的心 - yuèliang dàibiǎo wǒ de xīn - The moon represents my heart.
你问我爱你有多深 - nǐ wèn wǒ ài nǐ yǒu duō shēn - You ask how deeply I love you,
我爱你有几分 - wǒ ài nǐ yǒu jǐ fēn - and just how great my love is.
我的情不移 - nǐ qù xiǎng yī xiǎng - Consider this,
我的爱不变 - nǐ qù kàn yī kàn - and look above.
月亮代表我的心 - yuèliang dàibiǎo wǒ de xīn - The moon represents my heart.
轻轻的一个吻 - qīngqīng de yīgè wěn - So soft was the kiss
已经打动我的心 - yǐjīng dǎdòng wǒ de xīn - that has moved my heart.
深深的一段情 - shēnshēn de yīduàn qíng - Such a deep affection
教我思念到如今 - jiào wǒ sīniàn dào rújīn - makes me long for you now.
你问我爱你有多深 - nǐ wèn wǒ ài nǐ yǒu duō shēn - You ask how deeply I love you,
我爱你有几分 - wǒ ài nǐ yǒu jǐ fēn - and just how great my love is.
你去想一想 - wǒ de qíng bùyí - My affection does not waver
你去看一看 - wǒ de ài bùbiàn - and my love doesn't change.
月亮代表我的心 - yuèliang dàibiǎo wǒ de xīn - The moon represents my heart.
Marcadores: the moon represents my heart, yuèliang dàibiǎo wǒ de xīn
sábado, 30 de setembro de 2006
The boy... 51 anos esta noite...

sexta-feira, 22 de setembro de 2006
sexta-feira, 15 de setembro de 2006
segunda-feira, 11 de setembro de 2006
Mãe, quero ser famoso...

Isso é que é material raro... Só existe um exemplar no mundo. Se tivéssemos ficado famosos, só com essa "fita-cassete" dava pra bancar o apartamento em Mônaco... Saudades dos tempos dos garotos que amavam os Beatles e os Rolling Stones (mais os Beatles do que os Rolling Stones - lógico), Rafa, Beto, Leandro e Fabiano.
Beautiful Boy...
Beautiful Boy (Darling Boy)
Feche seus olhos
Não tenha medo
O monstro se foi
Ele está correndo e seu papai está aqui
Bonito, bonito, bonito
Menino bonito
Bonito, bonito, bonito
Menino bonito
Antes de dormir
Faça uma pequena oração
Diariamente em todos os sentidos
Está melhorando e melhorando
Lá fora no oceano que veleja afora
Eu quase não posso esperar
Para ver você virar gente...
Mas eu acho que vamos apenas ter que ser paciente
Porque o caminho é longo
Uma vida dura para vencer
Sim é um caminho longo
Mas enquanto isso
Antes que você atravesse a rua
Segure minha mão
Vida é o que acontece a você
Enquanto você está ocupado fazendo outros planos
Antes de dormir
Faça uma pequena oração
Diariamente em todos os sentidos
Está melhorando e melhorando
Bonito, bonito, bonito
Menino bonito (Menino querido)
Quem quiser assistir ao velho John cantar para o filho...
sexta-feira, 8 de setembro de 2006
King David.

E aproveitando, transcrevo a parte inicial e final do meu preferido, Salmo 139, do Rei Davi:
Senhor, Tu me sondas, e me conheces.
Sabes quando me assento e quando me levanto; de longe penetras os meus pensamentos.
Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar e conheces todos os meus caminhos.
Ainda a palavra não me chegou à língua e Tu, Senhor, já a conheces toda.
Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos;
vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.
Independência ou Morte...

Programa legal de feriadão em Curitiba é ficar assistindo na TV as filas na estrada para o litoral de Santa Catarina. Primeiro, do povaréu indo, como se o mar fosse secar e virar sertão. Depois, do mesmo povaréu voltando, no domingo. Curitibano que é curitibano mesmo, tem que se mandar para as praias catarinenses em feriado prolongado. Ano novo e carnaval então, é lei... Tem que ir... Pessoalmente acho que é justamente nessas datas que Curitiba fica muito melhor, pela total falta de vocação festeira.
Quanto aos engarrafamentos, isso não é viagem... Isso é tortura... E não basta ficar preso dentro do carro... Tem que levar os dois filhos e o sobrinho junto, pra criançada ficar lutando no banco de trás e pedindo pra beber água ou fazer xixi... Me faz lembrar daquele filme com o Michael Douglas - UM DIA DE FÚRIA - Em que ele fica preso em um engarrafamento num tórrido dia de verão de Los Angeles, surta e decide abandonar seu carro no local e seguir para a casa de sua ex-esposa a pé. Armado e atirando pra tudo que é lado. Filme, engarrafamento, gente atirando e motoristas de fim de semana. Fico em casa.







