domingo, 27 de abril de 2008

Tio, dá um trocado...??


O prefeito de Assis, cidade italiana onde nasceu e morreu São Francisco (1182-1226), devoto aos pobres, decretou a proibição de mendigos, informou o jornal La Reppublica. A medida impede a mendicância a menos de 500 metros das igrejas, lugares de culto, praças e edifícios públicos, segundo o documento assinado pelo prefeito de esquerda Claudio Ricci. Também foi proibido sentar e deitar no chão.

Francisco foi um revolucionário. Desprezou a vida cômoda de sua rica família italiana pela luta diária de viver, ao pé da letra, os ideais de outro subversivo chamado Jesus Cristo. Por isso desfez-se de todos os bens e saiu pelo mundo a pregar simplicidade, desapego, paz, alegria e amor pela vida e pela Natureza. Seu estilo hippie em pleno século 13 representava uma incômoda subversão de valores, para a sociedade e para a rica e pomposa Igreja. Francisco confundiu-se com os indigentes, vestia-se igual a eles, vivia sem bens como eles, aceitando o convite de Jesus aos apóstolos e discípulos: deixe tudo que tem e segue-me.

Hoje, Francisco já não poderia mais passar a menos de 500 metros dos edifícios públicos e igrejas da cidade que leva seu nome, sob pena de ser enxotado por um policial.

Ora, os lírios do campo não fiam nem tecem. Nus, eles se fecham e se dobram para não sucumbir à geada. Os pássaros do céu não ceifam nem colhem. Eles não perdem tempo escolhendo iguarias num cardápio. Aceitam humildemente todo alimento que a natureza coloca em seu caminho. Mas qualquer mendigo, como Francisco, por opção ou por nascença, na cidade dos pobres hoje, corre o risco de ser abatido...

"Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
é morrendo que se vive para a vida eterna."

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Modi...

Ele era Modi, ela era Noix-de-Coco - ou ele a chamava Haricot Rouge naquele inverno da Grande Guerra em Paris, quando os amantes não comiam nada a não ser feijão vermelho. Modigliani havia colhido uma flor recém-desabrochada e frágil entre as jovens alunas da Academia de Arte Colarossi. Ele - 33 anos. Ela - Jeanne, 19 anos, o último grande amor. Ele pintou-a na pose lânguida, sensual e alongada das mulheres de Modigliani. Ela fugiu de casa para partilhar sua vida miserável na rue de la Grand-Chaumière.

Mesmo com a mesada de Zbo, seu marchand, o dinheiro se esvaía em absinto e vinho, haxixe e cocaína. Quando Modigliani deixou de freqüentar o La Closerie des Lilas, foi encontrado, junto com Jeanne deitado em meio a latas de sardinha espalhadas pelo chão em seu apartamento. Modigliani, tuberculoso e sem dinheiro, comia sardinhas há 8 dias. No hospital de La Charité, beija a esposa e murmura por diversas vezes - "Cara Italia".

Ele morre dia 24 de janeiro de 1920, justo quando finalmente, sua obra começava a ser reconhecida. Jeanne volta para o apartamento dos pais na Rue Amyot e se joga do quinto andar, no dia seguinte, grávida de 09 meses. Os dois estão juntos, no cemitério Père-Lachaise:

AMEDEO MODIGLIANI
PINTOR
NASCIDO EM LIVORNO EM 12 DE JULHO DE 1884
MORTO EM PARIS EM 24 DE JANEIRO DE 1920
A MORTE O LEVOU
NO MOMENTO EM QUE
ELE ATINGIA A GLÓRIA

JEANNE HÉBUTERNE
NASCIDA EM PARIS EM 06 DE ABRIL DE 1898
MORTA EM PARIS EM 25 DE JANEIRO DE 1920
DE AMEDEO MODIGLIANI
COMPANHEIRA DEVOTA
ATÉ
O EXTREMO SACRIFÍCIO

Lógico que uma história dessas, só poderia ter Paris como pano de fundo. E visitar estes lugares ainda hoje - O atelier da Rue Ravignan, em Montmartre; o apartamento da Rue de Grand-Chaumière; o La Closerie de Lilas em Montparnasse (hoje tão luxuoso, que o próprio Modi teria que vender suas telas a preços atuais para poder freqüentar), até mesmo o cemitério Père-Lachaise e muitas outras ruas, é como voltar quase um século e respirar o ar dos amantes, na cidade que os abrigou.

Não por acaso, sua morte, no início de 1920, marca o início da década conhecida como les années folles, os anos loucos, onde Paris ferveu com todos os pintores, escritores, pensadores, músicos, bêbados, anjos e demônios, exilados dos Estados Unidos sob a lei seca. Foi a época em que todos precisavam estar em Paris, numa festa que durou até o final de 1929, com a quebra da bolsa americana. Mas daí, a história já estava feita...

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quinta-feira, 24 de abril de 2008

The Moon Represents my Heart...

Outro dia conversava com uma família de imigrantes chineses e mostrei a eles a música. Eles sabiam de cor e salteado, e me disseram que ela é a música que todos os namorados cantam para suas namoradas e vice-versa. Disparada a música romântica mais famosa da China. Para quem um dia acha que vai acabar tendo que aprender chinês, segue... Suave e delicada.

月亮代表我的心 - yuèliang dàibiǎo wǒ de xīn - The Moon Represents my Heart

你问我爱你有多深 - nǐ wèn wǒ ài nǐ yǒu duō shēn - You ask how deeply I love you,
我爱你有几分 - wǒ ài nǐ yǒu jǐ fēn - and just how great my love is.
我的情也真 - wǒ de qíng yě zhēn - My affection is real,
我的爱也真 - wǒ de ài yě zhēn - and my love is true.
月亮代表我的心 - yuèliang dàibiǎo wǒ de xīn - The moon represents my heart.

你问我爱你有多深 - nǐ wèn wǒ ài nǐ yǒu duō shēn - You ask how deeply I love you,
我爱你有几分 - wǒ ài nǐ yǒu jǐ fēn - and just how great my love is.
我的情不移 - nǐ qù xiǎng yī xiǎng - Consider this,
我的爱不变 - nǐ qù kàn yī kàn - and look above.
月亮代表我的心 - yuèliang dàibiǎo wǒ de xīn - The moon represents my heart.

轻轻的一个吻 - qīngqīng de yīgè wěn - So soft was the kiss
已经打动我的心 - yǐjīng dǎdòng wǒ de xīn - that has moved my heart.
深深的一段情 - shēnshēn de yīduàn qíng - Such a deep affection
教我思念到如今 - jiào wǒ sīniàn dào rújīn - makes me long for you now.

你问我爱你有多深 - nǐ wèn wǒ ài nǐ yǒu duō shēn - You ask how deeply I love you,
我爱你有几分 - wǒ ài nǐ yǒu jǐ fēn - and just how great my love is.
你去想一想 - wǒ de qíng bùyí - My affection does not waver
你去看一看 - wǒ de ài bùbiàn - and my love doesn't change.
月亮代表我的心 - yuèliang dàibiǎo wǒ de xīn - The moon represents my heart.

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