The Boy III - 50 anos.

A Celebração da cena imortalizada de "Che Guevara de Korda" veio em 5 de março de 1960, num ato de protesto às 136 vítimas de sabotagem na explosão do cargueiro francês Le Coubre, no porto de Havana. O episódio foi atribuído pelo governo cubano a uma ação de sabotagem em meio ao crescente clima de hostilidade entre Cuba e os Estados Unidos, que culminaria em décadas de embargo econômico e isolamento da ilha.
Ao lado de diversas autoridades cubanas, Fidel Castro discursava para a multidão na presença de Ernesto Che Guevara, Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir. Em determinado momento, Che avançou até a borda da tribuna para observar o público. Korda, atento, registrou rapidamente duas fotografias, uma vertical e outra horizontal. Nelas, captou a expressão austera e carregada de Che, vestido com sua característica jaqueta verde-oliva.
Alberto Korda nunca se deu conta da força simbólica que aquelas imagens alcançariam. A aparição de Che na tribuna durou cerca de 45 segundos, tempo suficiente para que o fotógrafo produzisse uma das imagens mais reproduzidas da história. Tampouco poderia prever a ironia dos tempos: em Havana e em praticamente qualquer lugar do mundo, utiliza-se um cartão VISA ou AMERICAN EXPRESS para comprar uma camiseta estampada com o rosto daquele que se tornou um dos maiores ícones da crítica ao capitalismo.
Também é impossível dissociar a realidade cubana do prolongado e indigno bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos. Por décadas, a maior potência econômica e militar do planeta tenta dobrar uma pequena ilha caribenha que insiste em preservar sua soberania política. O embargo agravou carências, restringiu oportunidades e impôs custos humanos significativos à população cubana. Ainda assim, apesar das privações, a ilha não se curva. Cuba segue existindo, resistindo e afirmando sua independência diante de uma pressão externa que atravessou gerações e diferentes governos norte-americanos.
Não sei o que Che pensaria ao ser confrontado hoje com a realidade vivida por quase 11 milhões de cubanos, muitos saindo de casa sem saber se haverá transporte para chegar ao trabalho, se conseguirão garantir o almoço ou o jantar. Talvez, porém, visse também um povo que, mesmo submetido a enormes dificuldades, continua recusando a submissão. Talvez a força duradoura daquela fotografia esteja justamente na expressão de desafio de um homem que se transformou em símbolo de uma revolução e de uma ilha que, para o bem ou para o mal, jamais se curvou.

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